Agenda apoiada pelo senador Nelsinho Trad e patrocinada pela Itaipu conecta embaixadas, prefeitos, ministérios e autoridades em torno do corredor que liga o Brasil ao Pacífico


Em meio ao avanço de negociações comerciais do Mercosul e à corrida global por cadeias estratégicas de alimentos, energia, minerais críticos e fertilizantes, Brasília recebe nesta terça-feira (12) um encontro sobre a Rota Bioceânica, corredor que liga Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Pacífico.
O Summit Bioceânica, apoiado pelo senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, reunirá 46 embaixadores e representantes de embaixadas de todos os continentes, prefeitos de municípios ligados ao traçado da Rota e áreas de influência, representantes de ministérios, órgãos estratégicos, autoridades federais, integrantes da bancada de Mato Grosso do Sul e instituições convidadas.
O evento tem patrocínio da Itaipu Binacional (https://www.itaipu.gov.br/) e contará com a presença do diretor-geral brasileiro da instituição, Enio Verri. A binacional tem papel estratégico na viabilização da ponte internacional entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, um dos principais símbolos físicos da Rota Bioceânica.
“A Rota Bioceânica é o Mercosul real. É a integração que passa pela estrada, pela ponte, pelo caminhão, pelo turismo, pela produção e pela vida das pessoas. Quando uma rota encurta o caminho, ela também aproxima mercados, países e pessoas”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
A agenda ocorre em meio à forte movimentação internacional no Senado. Depois de receber eurodeputados, na semana passada, para tratar do Acordo Mercosul-União Europeia, o senador Nelsinho Trad tem, nesta manhã, reuniões com parlamentares canadenses, onde devem ser abordadas as negociações do Acordo Mercosul-Canadá, e com uma delegação da Baviera, na Alemanha, interessada em comércio bilateral, cooperação econômica, ambiente jurídico e perspectivas abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
A leitura é que a Rota Bioceânica passou a integrar uma agenda mais ampla de diplomacia econômica, logística, comércio exterior, turismo, segurança alimentar e novas cadeias produtivas.
“O Brasil precisa olhar para essa Rota como uma plataforma de futuro. Ela conecta Mato Grosso do Sul ao Pacífico, aproxima o país de mercados asiáticos e cria uma nova lógica para exportação, turismo, serviços, investimentos e integração regional”, disse o senador.
A Rota conecta o Brasil, por meio de Porto Murtinho (MS), com o Paraguai, Argentina e Chile, onde chega aos portos de Antofagasta e Iquique. Para Mato Grosso do Sul, potência agroindustrial e exportadora que o presidente da CRE representa, o corredor representa a possibilidade de reduzir dependência dos portos do Atlântico, diminuir custos logísticos e ampliar competitividade no mercado internacional.
“Hoje, parte expressiva das exportações sul-mato-grossenses segue por Paranaguá e Santos. A nova saída pelo Pacífico pode encurtar distâncias, reduzir tempo de viagem e abrir caminhos mais competitivos para produtos como carne, celulose, grãos e outros itens da pauta exportadora do meu estado”, explicou o senador Nelsinho Trad.
O encontro também ocorre às vésperas de um marco simbólico: o chamado “beijo da ponte”, momento em que os dois lados da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta se encontram sobre o Rio Paraguai.
“O Paraguai tem papel decisivo nessa integração. A ponte não une apenas duas margens de um rio. Ela abre uma nova passagem entre países, mercados e oportunidades”, afirmou o senador Nelsinho Trad.
A discussão também se conecta ao debate sobre terras raras, que chegou ao Senado após aprovação, na Câmara, do PL 2.780/2024. O texto cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê instrumentos para estimular pesquisa, atrair investimentos, apoiar beneficiamento e refino no Brasil, criar fundo garantidor, oferecer crédito fiscal para transformação mineral e permitir análise estratégica de operações sensíveis envolvendo ativos minerais.
A Rota Bioceânica aproxima o Brasil do entorno do chamado Triângulo do Lítio, formado por Argentina, Chile e Bolívia, região estratégica para baterias, veículos elétricos, energia limpa e novas tecnologias.
“Quando falamos de minerais críticos, não estamos falando apenas de mineração. Estamos falando de tecnologia, energia, defesa, fertilizantes, segurança alimentar e soberania. O Brasil precisa atrair investimento, mas também precisa transformar seus ativos estratégicos em desenvolvimento nacional”, afirmou o senador Nelsinho Trad, que também preside, no Senado, a Frente Parlamentar em Defesa das Terras Raras.
O texto aprovado pela Câmara também equipara fertilizantes a ativos estratégicos, permitindo que projetos ligados à produção, beneficiamento e industrialização de fertilizantes tenham acesso a instrumentos como incentivos fiscais, crédito e debêntures incentivadas. A inclusão amplia a conexão da proposta com o agronegócio e com a segurança alimentar, em um país ainda dependente da importação de insumos para sustentar sua produção agrícola.
“Fertilizante também é soberania. Sem insumo, não há segurança alimentar; sem logística, não há competitividade; sem estratégia, o Brasil continua vendendo riqueza bruta e comprando tecnologia cara”, disse o senador.
Até 2026, foram viabilizados R$ 516 milhões em recursos federais relacionados à Rota Bioceânica por meio de mandato do parlamentar e bancada federal de MS. Também há previsão de R$ 99 milhões no Orçamento da União de 2026 para adequação do trecho entre Bataguassu e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul.
Para o senador Nelsinho Trad, o desafio agora é impedir que as agendas avancem de forma isolada.
“Países fazem estratégia. Empresas fazem negócios. O Brasil precisa de instrumentos para que esses negócios também se transformem em interesse nacional. A Rota Bioceânica, os acordos comerciais, os minerais críticos e os fertilizantes fazem parte de uma mesma discussão: como o Brasil se posiciona no mundo”, concluiu.



